Escolher uma agência é difícil por uma razão simples: quem está a escolher não domina a matéria, e é precisamente por isso que vai contratar alguém.
O portefólio ajuda pouco — toda a gente mostra os melhores trabalhos. As perguntas que separam mesmo não são sobre criatividade. São sobre propriedade, responsabilidade e como se mede. Escrevemos isto sabendo que somos parte interessada; use-as connosco também.
1. As contas ficam em nome de quem?
Esta é a mais importante e a que quase ninguém faz.
O domínio, o alojamento, a conta de anúncios, a de análise, o perfil da empresa no Google — tudo isso deve estar registado em nome da sua empresa, com a agência a ter acesso. Não ao contrário.
Se estiver ao contrário, no dia em que a relação acabar — e as relações acabam — fica sem o histórico das campanhas, sem os dados de anos e, nos casos piores, sem o domínio. É a forma mais eficaz de prender um cliente, e é usada mais vezes do que se imagina.
Pergunte também o que acontece no fim: quem leva o quê, em que formato, em quantos dias.
2. Quem é que vai fazer o trabalho?
E onde é que essas pessoas estão. Trabalhar à distância funciona bem para quase tudo, mas há coisas que não: fotografar as instalações, estar numa reunião difícil, perceber o negócio andando lá dentro. Se isso lhe interessa, uma agência a vinte minutos vale mais do que uma excelente a duzentos quilómetros.
Nas reuniões comerciais aparecem as pessoas mais experientes. Depois de assinado, o trabalho pode ir para outras.
Não há mal nenhum nisso — é assim que funcionam as equipas. O que interessa é saber de antemão quem é o seu interlocutor no dia a dia, quanta experiência tem e quem responde quando alguma coisa corre mal. Numa agência pequena, pergunte o que acontece se a pessoa que trata de si estiver de baixa.
3. O que está incluído e o que não está?
A maior parte das más relações entre cliente e agência começa aqui, e não em incompetência.
Uma proposta séria diz o que vai ser entregue, em quantas fases, com que prazos e o que fica de fora. E diz o que é uma alteração normal e o que é trabalho novo, que se orça à parte. Sem esta linha escrita, cada pedido passa a ser uma negociação e a relação azeda em três meses.
Pergunte também quantas rondas de revisão estão previstas. «As que forem precisas» não é generosidade: é uma frase que acaba mal para os dois lados.
4. Como é que vamos saber se está a resultar?
Se a resposta vier em alcance, impressões, seguidores ou visualizações, insista. São números que sobem quase sempre e que não pagam salários.
O que interessa é quantos contactos entraram, quantos viraram propostas, quanto custou cada cliente novo. Se a agência não souber isso, ou não tiver acesso ao que se passa depois do clique, está a otimizar às cegas — e vai apresentar-lhe relatórios bonitos sobre coisas que não decidem nada.
5. Já disseram não a algum cliente?
É uma pergunta incómoda e muito reveladora.
Uma agência que diz sim a tudo ou tem uma equipa enorme, ou está a aceitar trabalho que não sabe fazer. A resposta útil é concreta: «não fazemos X», «para isso costumamos encaminhar para outra pessoa», «neste caso achamos que não compensa».
Uma variante que funciona igualmente bem: peça que lhe digam o que é que, no seu caso, não vai resultar. Quem só tiver boas notícias para dar ainda não olhou para o seu problema.
As respostas que deviam fazê-lo desistir
- «Garantimos o primeiro lugar no Google.» Ninguém pode garantir isso. Quem o promete ou não sabe, ou sabe e está a contar consigo não saber.
- Contrato longo sem saída. Doze meses sem cláusula de rescisão é um risco só seu. Três meses de fidelização inicial é razoável; o resto não.
- Recusar dar acesso às contas. Não há justificação técnica para isto. Nenhuma.
- Uma proposta sem preço por fase. Um valor global fechado, sem dizer o que é cada coisa, impede-o de comparar e de cortar o que não precisa.
E uma pergunta para si próprio
Quem é que, do seu lado, vai responder às perguntas da agência e decidir?
Boa parte dos projetos que correm mal não morre por incompetência de ninguém: morre à espera de aprovações, de textos que nunca chegam, de uma decisão que fica para a próxima reunião. Se não houver uma pessoa com tempo e com autoridade para decidir, nenhuma agência o vai salvar disso.
Se quiser ver como trabalhamos, está no portefólio e na página de serviços.
Faça-nos estas perguntas
Conte-nos o que precisa. Respondemos às seis — incluindo a parte em que lhe dizemos o que não vai resultar.