Web · Inteligência artificial
Aparecer nas respostas da IA, e não só nos resultados
· 4 min de leitura ·
Durante vinte anos o objetivo foi um só: estar o mais acima possível numa lista de dez resultados azuis. Hoje, numa boa parte das pesquisas, a lista já não é a primeira coisa que aparece — em cima há um resumo escrito por um modelo de inteligência artificial, que responde à pergunta e cita duas ou três fontes.
E há quem já nem passe pelo motor de pesquisa: pergunta diretamente a um assistente. Em qualquer dos casos, a pergunta mudou. Não é «como é que subo na lista», é «como é que sou eu a fonte citada».
A boa notícia: a base é a mesma
Tem havido muito barulho à volta disto, com siglas novas a cada mês. Vale a pena dizer o que não mudou, que é quase tudo.
Um site que não abre depressa, que não se lê no telemóvel, que não deixa os motores de busca percorrê-lo ou que não diz nada de útil não vai ser citado por sistema nenhum, com ou sem inteligência artificial. Tudo o que escrevemos sobre um site de alto desempenho continua a valer, e continua a ser por aí que se começa.
O que mudou é o que se faz a seguir, depois de a base estar de pé.
Responder à pergunta, no princípio
Um modelo que está a construir uma resposta não lê a sua página inteira à procura do sentido. Procura o trecho que responde diretamente e usa-o.
Na prática, isto premeia uma forma de escrever que já era boa por outras razões: um subtítulo que é a pergunta como as pessoas a fazem, e logo por baixo a resposta em duas ou três frases, completa em si mesma. O contexto, as ressalvas e os casos particulares vêm depois.
É o contrário da introdução que dá três parágrafos de volta antes de chegar ao assunto. Essa nunca foi lida por ninguém; agora também não é citada.
Ser específico é o que distingue
Um modelo de linguagem já sabe tudo o que é genérico. Se a sua página diz o que qualquer página do setor diz, não há razão nenhuma para a citar em vez das outras mil.
O que ele não tem é o que só existe na sua casa: os prazos reais do seu setor na sua zona, o que costuma correr mal e como se resolve, o que custa uma coisa destas em Portugal, o caso concreto que acompanhou do princípio ao fim.
Números próprios, exemplos com nome e datas, condições em que o conselho não se aplica — é isso que faz uma página ser a fonte escolhida. E é também, por acaso, o que faz um leitor humano ficar até ao fim.
Dizer quem escreve e quando
Uma página assinada, com data visível e atualizada quando os factos mudam, tem mais probabilidade de ser usada do que um texto anónimo e sem tempo.
Vale a pena ter uma página «sobre» que diga quem é a empresa, desde quando, onde fica e o que já fez — não por vaidade, mas porque é daí que sai a confiança que um sistema automático consegue medir. E vale a pena marcar os dados da empresa, dos artigos e das perguntas frequentes com dados estruturados, que é a forma de dizer as mesmas coisas numa linguagem que as máquinas leem sem ambiguidade.
E a parte incómoda
Ser citado numa resposta traz menos visitas do que estar em primeiro lugar trazia. A pessoa lê o resumo e não clica. Isto é real e não há truque que o resolva.
O que se pode fazer é deixar de contar visitas como se fossem o objetivo e passar a contar contactos. E aceitar que a citação vale por si: aparecer como fonte numa resposta é uma recomendação, e quem clica depois disso costuma chegar mais decidido do que quem clicou num resultado qualquer.
Se quiser trabalhar isto a sério, é SEO e SEM com copywriting — as duas coisas juntas, porque separadas não dão resultado.
O seu site é citado ou ignorado?
Diga-nos o que a sua empresa faz e que perguntas os clientes lhe fazem. Vemos como o site responde hoje a essas perguntas.